Acidentes de trabalho no Brasil: como diminuir os números alarmantes?
Uma das grandes preocupações atuais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é a quantidade de acidentes de trabalho no Brasil. O documento Estratégia Nacional para Redução dos Acidentes do Trabalho 2015-2016, divulgado pelo MTE em 2015, apontou que houve 2.797 acidentes do trabalho fatais em 2013 no Brasil, o que correspondeu a uma taxa de mortalidade de 6,53 a cada 100.000 segurados no país. Além disso, o mesmo relatório destaca que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) faz a estimativa de que 2,34 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo devido a acidentes de trabalho.

Mas como diminuir esses números alarmantes?

No Brasil, a ideia é focar na Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, que tem por objetivo alertar para o risco dos colaboradores de não usarem os equipamentos obrigatórios e não seguirem as regras de segurança recomendadas.

Devido a essa ação, fiscais do Ministério do Trabalho realizaram 26.378 fiscalizações somente de janeiro a março de 2015, atingindo mais de três milhões de trabalhadores. O resultado foi a autuação de 25.902 empresas, com o embargo ou interdição de 1.108 delas. Mesmo assim, o total de acidentes continua superando a casa dos 700.000, segundo os dados mais recentes.

Voltando para o cenário da construção civil, percebe-se a necessidade imediata de tomar atitudes nos canteiros de obras, fazendo uma gestão mais adequada para diminuir esses resultados.

Causas dos acidentes de trabalho no Brasil ?
Existem vários motivos que ocasionam os acidentes de trabalho no país. Os principais são:

- não utilização do equipamento de proteção individual (EPI), que é obrigatório, mas nem sempre é seguido à risca;
- falhas ao instruir o trabalhador. Por exemplo, informando que o uso do EPI é obrigatório ou mostrando como determinado equipamento funciona;
- falta de conhecimento sobre segurança no trabalho e sobre a manipulação dos equipamentos;
- atitudes imprudentes por parte dos trabalhadores em ambientes perigosos;
- negligência ou ausência de fiscalização do ambiente de trabalho;
- falha no cumprimento de leis trabalhistas por parte das empresas;
- negligência com relação aos direitos dos trabalhadores;
- maquinários velhos e obsoletos, que não substituídos por equipamentos novos.

Dentro desses itens, há diversos comportamentos dos trabalhadores que podem colocar a segurança em risco, excesso de horas trabalhadas, falta de conhecimento sobre a atividade a ser executada ou ao maquinário a ser operado, distrações como conversas paralela, problemas pessoais ou discussões entre a equipe.


Consequências dos acidentes de trabalho no Brasil
Os acidentes de trabalho no Brasil são negativos tanto para as empresas e para as vítimas quanto para a Previdência Social. Na última divulgação do anuário estatístico, a Previdência Social informou que, no período de 2007 a 2013, 45% dos acidentes de trabalho ocasionaram morte, invalidez permanente ou, no mínimo, afastamento do trabalho por período temporário. O total de indenização pago nesse mesmo período alcançou o patamar de R$ 58 bilhões.

Esse total é decorrente dos custos com pensões por morte ou invalidez permanente e pagamento do salário da vítima de acidente de trabalho no Brasil a partir do 16º dia ausente do emprego. No entanto, o valor não contabiliza os custos indiretos, como os do Sistema Único de Saúde (SUS), os seguros de acidentes e possíveis ações judiciais decorrentes dos acidentes.


Setores mais letais
Quando se pensa em acidentes de trabalho, automaticamente pensa-se nos canteiros de obras de construção civil. No entanto, o transporte rodoviário de cargas está junto com a construção civil no primeiro lugar dos setores em que mais ocorrem acidentes de trabalho no Brasil.

Porém a construção civil ainda é o segmento mais letal para os trabalhadores, sendo responsável por cerca de 450 mortes ao ano no Brasil.


Como evitar os acidentes de trabalho
Para evitar os acidentes de trabalho, a melhor atitude é investir na prevenção. As empresas devem oferecer equipamentos adequados e novos aos trabalhadores, que os protejam.

É importante lembrar de que a legislação em vigor obriga as empresas a oferecer um local de trabalho saudável e seguro para os trabalhadores, bem como fiscalizar o uso dos equipamentos de proteção. Se necessário, a empresa deve utilizar de advertências, suspensão e até demitir o funcionário que não utilizar os equipamentos obrigatórios.

Além disso, a empresa deve sempre comunicar quando houver acidentes menores, que causam lesões leves, como prensamento de dedos, lesões devido ao trânsito entre os equipamentos, arranhões em superfícies ásperas etc.

Outro fator que auxilia muito a diminuir os números alarmantes de acidentes de trabalho no segmento da construção civil por exemplo é realizar uma gestão mais eficaz da segurança nos canteiros de obras. Nesse sentido, a tecnologia pode ajudar.
Postado por: Joaquim Martins
Publicado em: 23/05/2017 às 16:35:08
Estatísticas nacionais de Acidentes de Trânsito - Alagoas, Pernambuco, Sergipe

Estatísticas de acidentes no estado de Alagoas - AL

Por Vias Seguras 

Fontes: Detran, DATASUS, DPRF


Dados gerais :

População em 2010: 3,1 milhões de habitantes. Frota de veículos: 517.000 em Maio 2012. Superfície: 28.000 km2

Avaliação do número de mortos no trânsito


(Atualizado em 23/04/2017)

Detran, ano 2011, 856 mortos (dados do IML).

Ministério da Saúde (DATASUS): óbitos ocorridos no Estado: 846 em 2012, 783 em 2013, 828 em 2014, 755 em 2015.

DPRF: 156 mortos nas rodovias federais do Estado em 2011, 191 em 2012.




Estatísticas de acidentes no estado de Pernambuco - PE

Por Vias Seguras

Fontes: DATASUS, DPRF


Dados gerais :

População em 2010: 8,8 milhões de habitantes. Frota de veículos: 1,8 milhões em 2010. Superfície: 98.000 km2

Avaliação do número de mortos no trânsito:


(Revisado em 18/02/2017)

Ministério da Saúde (DATASUS), óbitos ocorridos no Estado: 1.825 em 2013, 1.737 em 2014, 1.888 em 2015.

DPRF: mortos nas rodovias federais do estado: 473 em 2011, 452 em 2012.




Estatísticas de acidentes no estado de Sergipe - SE

Por Vias Seguras 

Fontes: DATASUS, DPRF.


Dados gerais :

População em 2010: 2,1 milhões de habitantes. Frota de veículos: 427.000 em 2010. Superfície: 22.000 km2

Avaliação do número de mortos no trânsito:


(Atualizado em 24/04/2017)

Ministério da Saúde (DATASUS), óbitos ocorridos no Estado: 651 em 2012, 665 em 2013, 535 em 2014, 546 em 2015.

DPRF, mortos nas rodovias federais do Estado: 120 em 2010, 97 em 2011, 105 em 2012.



Postado por: Joaquim Martins
Publicado em: 23/05/2017 às 15:52:56
Mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por depressão em 2016!

Tachada de mal do século, a depressão é responsável por retirar do mercado de trabalho milhares de profissionais todos os anos. No ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão do mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais, que incluem não só a depressão, como estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína. No ano passado, mais de 199 mil pessoas se ausentaram do mercado e receberam benefícios relacionados a estas enfermidades, o que supera o total registrado em 2015, de 170,8 mil.

Entre 2009 e 2015 (únicos dados disponíveis), quase 97 mil pessoas foram aposentadas por invalidez em razão de transtornos mentais e comportamentais, com destaque para depressão, distúrbios de ansiedade e estresse pós-traumático. Ao todo, esses novos benefícios representam, hoje, uma conta de R$ 113,3 milhões anuais aos cofres públicos.

Para os especialistas, a situação evidencia a necessidade de colocar esse tipo de transtorno no topo da lista de preocupações para políticas públicas e de empresas. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que, até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que entre 20% e 25% da população tiveram, têm ou terão um quadro de depressão em algum momento da vida.

Mudanças de emprego

Para Leonardo Rolim, especialista em Previdência, as políticas públicas falham pois não se preocupam em reintegrar os profissionais no ambiente de trabalho. Segundo ele, apenas 5% dos trabalhadores afastados são reabilitados no emprego:

— Os números são muito grandes, e há uma falha na reabilitação. Mesmo quando volta, o trabalhador demora muito. O Estado gastaria menos reintegrando esse trabalhador do que pagando benefícios por muitos anos.

Ao longo dos seus 32 anos, Manoela Serra já conviveu com episódios depressivos várias vezes. Ela foi diagnosticada com transtorno bipolar em 2009, aos 25 anos. Isso faz com que tenha de conviver com ciclos de euforia e outros em que mergulha em depressão profunda. O primeiro episódio depressivo ocorreu quando ela tinha 15 anos.

No mercado de trabalho, pulou de emprego em emprego, sem se firmar em razão das consequências do transtorno. Além de apatia e insegurança, ela sofria fortes enxaquecas e esofagite. Em alguns dos vários empregos pelos quais passou, chegou a desenvolver síndrome do pânico.

— No início, ficava animada, inspirada, acumulava turnos. É a euforia bipolar. Até um dia em que, de uma hora para a outra, vinha a depressão. Ficava incomodada, com mania de perseguição, achava que não era boa o suficiente, chorava, tinha enxaqueca. O coração disparava e eu entrava num estado de nervos em que achava que ia morrer. A depressão é isso: uma sensação de morte — conta.

Quando a depressão começava, ela era obrigada a levar atestados para se manter afastada. Embora avalie que foi compreendida pelos patrões, quando os atestados se tornavam mais frequentes, não restava outra opção a não ser recorrer ao INSS ou pedir demissão. Nesse ciclo, ela se demitiu de empregos de garçonete, caixa, vendedora, atendente de casa de câmbio e companhia aérea. Diante da falta de uma estrutura de apoio, a alta rotatividade do profissional no mercado de trabalho é um dos efeitos da doença.

Segundo Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, a capacidade de trabalho e todas as outras funções do corpo ficam abaixo do normal em uma pessoa deprimida:

— Todas as funções da pessoa com depressão estão para baixo: a capacidade de trabalho, insegurança, falta de vaidade, a pessoa se sente feia, se sente péssima, sem condições de trabalho, perde as forças, a vontade. Fica sem concentração por causa das alterações do sono. Como trabalhar oito horas após noites seguidas de insônia? Como trabalhar com sonolência excessiva?

Profissões com maior incidência

Depois do diagnóstico, Manoela passou a se tratar corretamente e consegue ter um controle maior das crises, com a ajuda de medicação. Hoje, é escritora e transformou sua história em livro, “O Diário Bipolar”, e dá palestras sobre o tema.

Parte dos problemas que chegam ao INSS foram desencadeados por fatores relacionados ao próprio ambiente de trabalho. De todo o pessoal afastado no ano passado por transtornos de comportamento em geral, ao menos 10,6 mil foram considerados acidentes de trabalho, ou seja, tiveram o ambiente profissional como um dos agentes desencadeadores da doença.

Para casos específicos de depressão, episódicos ou recorrentes, foram 3,4 mil auxílios por acidente de trabalho. Os números, porém, podem ser bem maiores. Parte dos especialistas destaca que há risco de subnotificação, diante da dificuldade em comprovar o papel do ambiente de trabalho na ocorrência de episódios depressivos. Mesmo assim, há profissões que são conhecidas por terem mais afastamentos e aposentadorias ligadas a transtornos dessa natureza. É o caso do mercado financeiro, dos controladores de voo, dos profissionais da área de segurança, juízes, jornalistas e médicos.

Na avaliação de Rolim, em casos de acidente de trabalho, deveria haver algum tipo de ação para que o empregador compense o INSS, já que o ambiente foi considerado um fator que desencadeou a doença.

Por transtornos em decorrência de uso de psicoativos, sobretudo álcool e cocaína, foram 240 afastamentos considerados acidente de trabalho em 2016. Outros 34,2 mil receberam o auxílio previdenciário, quando não há conexão com o ambiente de trabalho. Procurado para falar sobre o assunto, o Ministério da Previdência não comentou.

Carga exaustiva de trabalho

Uma das diretoras da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Rosylane Rocha explica que a depressão é uma doença, com um componente genético, que pode ser desencadeada por uma série de fatores, como o contexto social ou um determinado evento de vida da pessoa. Uma vez que exista a predisposição para a doença, uma carga exaustiva e recorrente de trabalho, um ambiente muito estressante ou uma situação de estresse pós traumático, por exemplo, podem fazer com que o trabalho seja o fator responsável por desencadear o problema. É nesses casos em que os benefícios são considerados acidente de trabalho.

— Esses casos ocorrem quando o médico entende que há uma contribuição relevante do ambiente de emprego para o quadro, a ponto de que, sem isso, a depressão não eclodiria — explica.

Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, o trabalho pode, de fato, ter impacto sobre a saúde do trabalhador:

— O termo “estresse” vem da física, para você medir o estresse de uma ponte, por exemplo. Se passar mais peso do que o previsto, a ponte estressa e rompe. Com o ser humano é a mesma coisa. Se ele passa a trabalhar 12h por dia, por exemplo, vai se estressar e romper, quebrar.

Postado por: Fernando Costa
Publicado em: 23/05/2017 às 15:11:19