Há setores profissionais em que os riscos de acidentes e doenças de trabalho são claramente percebidos pela grande maioria das pessoas. Parece óbvio que um eletricista que vai trabalhar com um transformador de energia está exposto a altas descargas elétricas capazes de matá-lo ou provocar sequelas incapacitantes.

O trabalho em altura também deixa implícito que uma possível queda trará consequências nefastas ao empregado. Ocorre que os ambientes perigosos e severos podem estar dentro de um sofisticado e bem decorado escritório. Vamos lá. A Lesão por Esforço Repetitivo (LER) é ainda hoje um dos distúrbios em trabalhadores que mais provocam afastamentos do emprego. E, normalmente, esses empregados sofreram ‘agressões’ provenientes do mobiliário dentro de escritórios. Ora, doenças e acidentes causados em escritórios administrativos existem porque também há riscos nesses ambientes. Em se tratando de dorsalgia, por exemplo, que é a terceira causa de afastamento segundo a previdência social, as causas são bastante comuns.

A má postura de um trabalhador que utiliza o computador durante oito horas diárias pode ser o estopim para uma doença de coluna. Ou seja, os movimentos repetitivos sem pausas, com o sujeito executando sua atividade durante longo tempo na mesma posição, ai, ai. Se nunca sentiu nada, um dia chegará sua vez de sentir a presença de estresse físico, resultando em hérnias de disco, tendinites ocupacionais e contraturas musculares. É, de certa forma, em função da vulnerabilidade do ambiente de escritório, que tanto se passou a falar em ergonomia. Por isso, a realização da análise de risco também deve ser feita nos setores administrativos. Essa análise deve ser realizada em duas etapas: uma é a qualitativa, que é a avaliação preliminar. A outra é a análise que mede, compara e estabelece as medidas de controle, também conhecida como avaliação quantitativa. Ah, mas qual é a firma pequena que realiza uma análise de risco para seus trabalhadores de escritório? Entendo, na prática, acho mesmo que não o fazem. Que seja pequena, média ou grande empresa, é preciso que os gerentes tenham responsabilidade e conheçam minimamente a legislação, que impõe ações de prevenção de doenças e acidentes de trabalho. Se uma empresa emprega 10 funcionários, e nove apresentam LER, alguma medida há de ser tomada, não é mesmo? No mínimo, não custa o chefe orientar os subordinados quanto à manutenção de posturas corporais apropriadas. Ora vejam, não há empregador que goste de empregado em licença médica. A prevenção de doenças e acidentes de trabalho ainda é a melhor opção para ambos os lados.

Publicado em: 24/02/2017 às 16:55:31