Hoje, por ser o dia da Mulher e por ser também uma mulher trabalhadora, sinto-me no direito de abordar neste post o que pode comprometer a segurança e a saúde feminina dentro do ambiente laboral. Já virou lugar-comum que temos dupla jornada de trabalho. Em um único dia, uma mulher profissional, que também é mãe e esposa, costuma se virar nos 30 para dar conta de tantas atribuições e responsabilidades. Outro aspecto muito registrado pelos levantamentos estatísticos é que a mulher que exerce uma mesma função do homem, tem salário mais baixo. Logo, a igualdade de gênero no papel é muito linda e politicamente correta, mas, na vida real, falta subir alguns degraus civilizatórios.

Um dia chegamos lá! Mas para não ficar batendo nas teclas de sempre, nem ficar de mimimi, vou sugerir às empresas que contratam trabalhadores, que busquem fazer uma gestão de SST competente, compreendendo as peculiaridades deste gênero. Os médicos do trabalho, por exemplo, quando fazem a anamnese precisam ter consciência da importância de se ater ao aspecto emocional das mulheres para entender as demandas que as sobrecarregam. Não estou pedindo que o médico seja paternalista ou mesmo discriminatório, mas, numa consulta admissional, o médico precisa fazer uma investigação menos burocrática ou voltada apenas à parte genital e reprodutiva. Claro, não há uma anamnese exclusiva ao público feminino. Porém, a partir da contratação e do exame médico admissional, o médico poderá pinçar pontos que indiquem que a funcionária estará propícia ao adoecimento físico e mental, em função da complexidade que envolve a sua rotina. Acredito que deva haver um vínculo médico-paciente efetivo, só assim será possível orientá-las de forma mais apropriada. Além dos aspectos do ambiente de trabalho, devem ser analisadas suas atividades extralaborais.

Também no dia a dia é preciso analisar a função desempenhada pelas trabalhadoras. Daí ser necessária a análise de riscos ergonômicos, físicos, químicos e biológicos, mas também a exposição a situações de conflitos ou pressões emocionais, como é o recorrente assédio moral e sexual vivido por muitas profissionais.

Os problemas vivenciados pela mulher no trabalho não são exclusividades das brasileiras. Outros países registram, por exemplo, casos de hostilidades por parte de chefias ou mesmo colegas. As diferenças são físicas e não de capacidade de trabalho. As mulheres podem trabalhar em ambientes insalubres, no entanto, devem ter informação, treinamento e todos os equipamentos de proteção individual necessários.

Ora, há mulheres que trocam pneu de caminhão em borracharia. E por lei é admissível o levantamento de até 20 quilos e eventual até 25 quilos. Para homens, a legislação indica 30 quilos contínuos e 35 eventuais.

Com vista à saúde e segurança das trabalhadoras, os profissionais de segurança das empresas precisam apostar em programas de prevenção, que incluam check-up básico, com eletrocardiograma, exame de sague completo, raio X de tórax, exames de urina, fezes e, claro, a mamografia e ultrassom das mamas. Nós não queremos regalias por sermos mulheres. Queremos um olhar e ações que contemplem as nossas diferenças. O que não se pode é ignorar que a jornada de trabalho feminina é de cinco horas a mais do que a masculina (por causa do lar), que consomem e desgastam a mulher trabalhadora.

FONTE : Emily Sobral

Publicado em: 08/03/2017 às 17:21:38